Saiba mais sobre o tabagismo
Perguntas e respostas
Como o cigarro age no organismo?
A fumaça do tabaco, durante a tragada, é inalada para os pulmões, distribuindo-se para o sistema circulatório e chegando rapidamente ao cérebro, entre 7 e 9 segundos. Todo o volume de sangue do corpo percorre os pulmões em um minuto. As substâncias inaladas pelos pulmões espalham-se pelo organismo com uma velocidade quase igual à de substâncias introduzidas por uma injeção intravenosa.
A fumaça do cigarro é uma mistura de aproximadamente 4.700 substâncias tóxicas diferentes, dentre as quais: monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído, acroleína, nicotina e alcatrão. O alcatrão é um composto de mais de 40 elementos comprovadamente cancerígenos, formado a partir da combustão dos derivados do tabaco. Alguns desses elementos são encontrados em venenos de rato.
O monóxido de carbono (CO) tem afinidade com a hemoglobina (Hb), um elemento presente nos glóbulos vermelhos do sangue que transportam oxigênio para todos os órgãos do corpo. A ligação do CO com a hemoglobina forma o composto chamado carboxihemoglobina, que dificulta a oxigenação do sangue, privando alguns órgãos do oxigênio e causando doenças como a aterosclerose.A nicotina é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma droga psicoativa que causa dependência. Ela age no sistema nervoso central de modo semelhante à cocaína, com uma diferença: chega ao cérebro em torno de nove segundos. Por esse motivo, o tabagismo é classificado como uma doença, estando inserido no Código Internacional de Doenças (CID-10), no grupo de transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativa.
Outro efeito do fumo é estimular a produção de ácido clorídrico no aparelho gastrointestinal, o que pode causar úlcera gástrica. Além disso, desencadeia a liberação de algumas substâncias químicas no pulmão, que desencadeiam um processo responsável pela destruição da elastina, provocando o enfisema pulmonar.
Quais são as principais doenças causadas pelo uso do cigarro?
O tabagismo é responsável por 30% das mortes por câncer, 90% das mortes por câncer de pulmão, 25% das mortes por doença coronariana, 85% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica e 25% das mortes por doença cerebrovascular.
Outras doenças associadas ao uso do cigarro são: aneurisma arterial, trombose vascular, úlcera do aparelho digestivo, infecções respiratórias e impotência sexual no homem. No Brasil estima-se que, a cada ano, 200 mil pessoas morrem precocemente devido às doenças causadas pelo tabagismo.
As mulheres sofrem mais as conseqüências do uso do cigarro. As fumantes apresentam mais problemas circulatórios, osteoporose, rugas e celulite do que as não fumantes. Mulheres que fumam e utilizam anticoncepcionais têm 10 vezes mais chance de sofrer infarto, derrame e trombose nas veias da perna.
Sim. Os fumantes adoecem com uma freqüência duas vezes maior que os não fumantes. Possuem menor resistência física, menos fôlego e pior desempenho nos esportes e na vida sexual do que os não fumantes. Além disso, fumantes envelhecem mais rapidamente e apresentam um aspecto físico menos atraente, pois ficam com os dentes amarelados, pele enrugada e impregnada pelo odor do fumo.
A mulher grávida que fuma, além de correr o risco de abortar, tem uma chance maior de ter filhos de baixo peso, menor tamanho e com defeitos congênitos. Os filhos de fumantes adoecem duas vezes mais do que os filhos de não fumantes.
Fumar cigarros de baixos teores de alcatrão e nicotina é uma boa estratégia contra os malefícios do cigarro?
Não. O modo de fumar é determinado pela necessidade do fumante de consumir nicotina (que lhe traz a sensação de satisfação). Ao fumar cigarros com baixos teores, o fumante passa a utilizar alguns artifícios para alcançar tal sensação. Assim, para obter uma quantidade de nicotina que satisfaça a sua dependência, o fumante dá tragadas mais profundas, aumenta o número de tragadas por cigarro e o número de cigarros fumados ou bloqueia os orifícios de ventilação dos filtros. Como resultado, aumenta a concentração de fumaça inalada durante a tragada.
Testes demonstram que, em "condições de fumo realísticas", existe uma diferença muito pequena entre os cigarros denominados "light" e os comuns. Na verdade, eles podem até produzir quantidades maiores de alcatrão, nicotina e monóxido do que os cigarros tradicionais.
Atenção: por mais que a indústria do fumo afirme que realiza pesquisas visando ao desenvolvimento de produtos alternativos, na verdade esses estudos procuram desenvolver produtos e formas de reduzir o teor de determinadas substâncias, como por exemplo, o alcatrão, mas sempre mantendo a nicotina, que é a substância que causa a dependência.
O que é a síndrome de abstinência?
A síndrome de abstinência é um conjunto de sintomas, como agitação, ansiedade, suor intensivo, irritabilidade, tontura, insônia, dores de cabeça, nervosismo, dificuldade de concentração, impaciência e fome excessiva, além do desejo de voltar a fumar. Essa síndrome é a maior responsável pela recaída dos ex-fumantes, e o grau de dependência é diretamente proporcional ao número de cigarros fumados e ao teor de nicotina neles encontrado. É importante ressaltar que esses sintomas se prolongam por, no máximo, 2 (duas) semanas.
O que é o fumo passivo?
O fumo passivo é a absorção da "fumaça da brasa", também chamada de "fumaça lateral" – a fumaça que sai da ponta ardente do cigarro –, e da "fumaça usada", ou "fumaça principal" – que é a fumaça exalada pelo fumante. Fumaça de segunda mão, fumo passivo, tabagismo involuntário ou exposição à fumaça ambiental do tabaco (FAT); tudo isso está relacionado com o fenômeno da inalação de fumaça produzida por outras pessoas.
O que é a fumaça de segunda mão?
A fumaça de segunda mão é a fumaça do ar que o indivíduo respira quando está localizado no mesmo espaço em que se encontra o fumante. Trata-se de uma complexa combinação de mais de 400 substâncias químicas, na forma de partículas e gases. Ela inclui elementos irritantes e tóxicos sistêmicos, tais como: cianeto de hidrogênio, dióxido de enxofre, monóxido de carbono, amônia e formaldeído. Contém também carcinógenos e mutagênicos, como arsênico, cromo, nitrosaminas e benzo(a)pireno. Muitas dessas substâncias, como a nicotina, o cádmio e o monóxido de carbono, causam danos aos processos reprodutivos.
Como o fumo passivo afeta a saúde do não-fumante?
Os não fumantes que inalam fumaça de segunda mão sofrem muitas das doenças a que estão sujeitos os fumantes. Existe uma relação causal entre a exposição ao fumo passivo e morte por doenças cardíacas, bem como câncer dos pulmões e do seio nasal. A fumaça do tabaco tem efeitos imediatos, tais como irritação dos olhos e do nariz, dor de cabeça, dor de garganta, vertigem, náuseas, tosse e problemas respiratórios.
O fumo passivo causa também uma grande variedade de efeitos adversos para a saúde da criança, como bronquite e pneumonia, ocorrência e agravamento da asma, infecções do ouvido médio e a chamada “orelha colada”, que é a causa mais comum de surdez nas crianças.
A exposição de mulheres não fumantes à fumaça de segunda mão durante a gravidez reduz o crescimento do feto, ao passo que a exposição pós-natal do recém-nascido à fumaça do tabaco aumenta consideravelmente o risco de síndrome de morte súbita do lactente (SMSL).
Basta manter um cigarro aceso para poluir um ambiente com as substâncias tóxicas de sua fumaça. Ao fim do dia, em um ambiente poluído, os não fumantes podem ter respirado o equivalente a 10 cigarros.
Qual a extensão do problema do fumo passivo?
A exposição passiva ao fumo é um problema generalizado que afeta pessoas de todas as culturas e todos os países. Essa exposição ocorre em situações comuns do cotidiano, no lar, no trabalho, na escola, nos parques e nos transportes coletivos, em bares e restaurantes, praticamente em toda parte aonde vai gente.
A resposta para o problema do fumo passivo estaria em áreas bem ventiladas para o não fumantes?
Não. Embora possa contribuir para reduzir a irritabilidade da fumaça, uma boa ventilação não elimina seus componentes tóxicos. Quando a ventilação das áreas destinadas aos que não fumam é compartilhada com a ventilação das áreas reservadas aos fumantes, a fumaça se dispersa por toda a parte. As áreas para não fumantes só ajudam a protegê-los quando são completamente isoladas, têm sistema de ventilação separado que dá diretamente para o exterior, sem recircular com o ar do edifício, e quando não servem de passagem para os empregados.
Qual o primeiro passo para parar de fumar?
É importante estar ciente dos males que o fumo ocasiona, através de informações científicas, cursos e debates. A melhor estratégia para parar de fumar deve ser decidida de acordo com as necessidades individuais. Resumidamente, existem duas maneiras para se fazer isso:
Parada Abrupta: é caracterizada pela suspensão total do cigarro em uma data pré-estabelecida. Assim, passa-se do número total de cigarros consumidos para nenhum. Se a reposição (adesivos ou chicletes) for utilizada, o ideal é começar imediatamente após a interrupção dos cigarros.
Parada Gradual: este processo deve durar somente seis dias. Nesse caso, se a reposição (adesivos ou chicletes) for utilizada, só deve ser iniciada quando o indivíduo tiver parado totalmente de fumar. Esse tipo oferece duas possibilidades de redução:
a)Parada Gradual de Adiamento
Nesse caso, adia-se a hora de começar a fumar. Durante seis dias, deve-se adiar sempre um pouco mais o início do hábito de fumar. Por exemplo:
- no primeiro dia, o fumante começa a fumar às 8 horas;
- no segundo, às 10 horas;
- no terceiro, às 12 horas;
- no quarto, às 14 horas;
- no quinto, às 16 horas;
- no sexto, às 18 horas;
- o sétimo dia será a data para deixar de fumar, e o primeiro dia sem cigarros.
b)Parada Gradual de Redução
Reduz-se o número de cigarros fumados por dia. Durante seis dias, uma programação deve ser feita para que a cada dia se fume menos. Por exemplo, um fumante de 20 cigarros por dia:
- no primeiro dia, fuma os 20 cigarros usuais;
- no segundo, fuma 16 cigarros;
- no terceiro, 12 cigarros;
- no quarto, 8 cigarros;
- no quinto, 4 cigarros;
- no sexto dia, 2 cigarros; no sétimo dia, nenhum cigarro; esse será o primeiro dia sem fumar.
A estratégia gradual não deve gastar mais de duas semanas para ser colocada em prática, pois pode se tornar uma forma de adiar, e não de parar de fumar. O segredo é persistir, e se ainda assim retomar o hábito, não se deve desistir, porque a maioria das pessoas que foram bem-sucedidas no abandono do tabagismo havia tentado por três ou mais vezes. O uso de quaisquer medicações, quer sejam comprimidos, gomas ou adesivos, deve ser feito somente com indicação e orientação médica, pois nem todas as pessoas podem fazer uso das mesmas substâncias.
Parar de fumar engorda?
Uma das conseqüências que podem ocorrer com quem para de fumar é o ganho de peso. Por isso, vários fumantes não deixam de fumar, com receio de ganhar muito peso, e alguns dos que conseguem podem retornar ao hábito assustados com o aumento da ingestão alimentar e do ganho de peso. O possível ganho de peso ocorre porque a nicotina causa uma reação química que aumenta o consumo de energia, cerca de 200 calorias por dia. Além disso, a nicotina afeta a atividade da serotonina e da dopamina, substâncias que atuam no controle da fome, reduzindo o apetite e inibindo o paladar.
O ganho de peso também ocorre devido à substituição de cigarros por alimentos. A pessoa que fuma requer aproximadamente 10% mais calorias para manter seu peso do que os que não estão fumando. A maioria das pessoas que param de fumar engorda muito menos do que se imagina, em média entre 2 e 4 kg, e este ganho de peso tende a regredir e a se normalizar após seis meses sem fumar.
Para evitar o aumento de peso, recomenda-se uma dieta balanceada, com muitas frutas e vegetais, que possuem poucas calorias e muita fibra. Também é aconselhável alimentar-se freqüentemente, em pequenas quantidades ao longo do dia. Além disso, é necessária a prática de exercícios físicos constantes, o que ajuda a reduzir a ansiedade e evita que o peso aumente muito.
Não há vantagens na diminuição do peso através do ato de fumar, pois o emagrecimento perseguido pelas pessoas através do cigarro não lhes garante uma vida mais longa, nem uma melhor qualidade de vida.
Como funcionar a nicotina suplementar?
No cérebro, a nicotina imita a ação da dopamina, um neurotransmissor associado à sensação de bem-estar. Para reduzir a vontade de fumar, recorre-se a chicletes ou adesivos que liberam a substância na corrente sangüínea, diminuindo a vontade de fumar, já que essa vontade é provocada pela sensação de bem-estar citada anteriormente. Hoje, encontram-se no mercado a goma de mascar e o adesivo. Recomenda-se que haja sempre prescrição e supervisão médica para o uso destes produtos.<!-- **** NOTÍCIAS **** --><!-- **** RODAPÉ DA PÁGINA **** -->