A febre amarela é uma doença infecciosa aguda, de curta duração (no máximo 10 dias) e de gravidade variável, transmitida ao homem pela picada de fêmeas do mosquito infectado. O vírus causador da doença é um arbovírus do gênero Flavivirus, família Flaviviridae.
A febre amarela é uma doença típica de clima tropical, e ocorre na América do Sul e na África. Possui dois ciclos epidemiológicos diferentes: o silvestre e o urbano. A febre amarela urbana (das cidades) não ocorre no Brasil desde 1942.
A febre amarela é causada por um vírus. No caso da febre amarela urbana, o vetor é o mosquito Aedes aegypti, e o homem é o principal hospedeiro. A febre amarela que temos hoje no Brasil é a febre amarela silvestre, cujos transmissores são os mosquitos silvestres do gênero Haemagogus e Sabethes. Os mosquitos, uma vez infectados, garantem a circulação do vírus enquanto viverem. Os macacos são os principais hospedeiros da febre amarela silvestre, sendo o homem um hospedeiro acidental.
São eles: febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômitos, dores no corpo, icterícia (coloração amarelada que aparece na pele e nos olhos) e hemorragias (sangramento da gengiva, nariz, estômago, intestino e urina).
Não. A icterícia é uma característica da doença; no entanto, é preciso lembrar que existem formas muito leves da doença que não chegam a apresentá-la. Já a febre sim, essa ocorre em todas as situações.
Esse exame é muito especifico e complexo, em função da técnica que é utilizada para o isolamento do vírus. Por essa razão, o resultado demora pelo menos 15 dias. Existe um outro exame – a sorologia – que é mais rápido e pode estar pronto em 48 horas.
Não existe nenhum medicamento específico contra o vírus da febre amarela. O tratamento é apenas dos sintomas e requer cuidados na assistência ao paciente que, sob hospitalização, deve permanecer em repouso com reposição de líquidos e das perdas sangüíneas, quando indicado. Nas formas graves, o paciente deve ser atendido numa Unidade de Terapia Intensiva. Se o paciente não receber assistência médica, pode morrer.
A chance é muito elevada se considerarmos as formas graves da doença, podendo chegar até 100%. No entanto, a febre amarela tem várias formas de apresentação clinica, e se isso for considerado, o índice de letalidade da doença se reduz a uns 10%. Nos últimos 10 anos, a letalidade foi de 46%.
Nesse momento, não se pode culpar o aquecimento global pela situação da febre amarela no Brasil. Todavia, quando ocorre um aumento de temperatura, a quantidade de chuvas conseqüentemente aumenta, e isso tem influência na proliferação da população de mosquitos, dentre os quais estão os vetores da doença.
A epidemia não se restringe a uma determinada área. Considera-se epidemia quando a doença atinge uma grande proporção de municípios de um estado, outras áreas territoriais e, por vezes, até outros estados.
A prevenção contra a população de mosquitos é muito complexa, pois são seres silvestres e estão presentes na natureza. A reprodução desses mosquitos está mais ligada ao ambiente silvestre.
A única forma de se evitar a febre amarela é se vacinando contra a doença. A vacina é gratuita e está disponível nos postos de saúde em qualquer época do ano. Ela é administrada em dose única e sua proteção é válida por 10 anos. Deve ser aplicada 10 dias antes da viagem para as áreas de risco de transmissão da doença, pois a imunização é assegurada em 100% apenas após o décimo dia de aplicação da vacina. Recomendam-se também outras medidas de proteção individual, isto é, o viajante deve utilizar, sempre que possível, calças e camisa de manga comprida, além de repelentes contra insetos.
A vacinação é indicada para todas as pessoas que residem nas áreas de risco de transmissão e para aquelas que eventualmente irão se expor ao risco de adquirir a doença. Especial atenção deve ser dada a pessoas que costumam realizar atividades ecológicas, como caminhar em trilhas, atividades de lazer em áreas de mata e trabalhadores rurais.
Não, a vacina não pode ser administrada a recém-nascidos. Normalmente, a vacina contra a febre amarela é recomendada a partir dos 9 (nove) meses de idade; no entanto, nas áreas de maior risco e em algumas situações especiais, esse limite foi antecipado para 6 (seis) meses. Portanto, a indicação da idade da vacinação irá depender da área onde essa criança se encontra: se ela estiver em região onde a vacinação está indicada a partir de seis meses, como em Goiás e no Distrito Federal, então ela deve ser vacinada a partir dos seis meses de idade.
A vacina contra a febre amarela é contra-indicada em:
Crianças com menos de 6 (seis) meses de idade;
Pessoas com imunodepressão transitória ou permanente, induzida por doenças (Aids, infecção pelo HIV com comprometimento da imunidade, neoplasias);
Indivíduos com imunodepressão induzida por tratamentos com drogas (corticóides em altas doses ou uso prolongado) ou radioterapia;
Gestantes (a gestação, em qualquer fase, constitui contra-indicação relativa e deve ser analisada caso a caso, levando-se em conta os riscos e benefícios);
Pessoas com histórico de reações anafiláticas relacionadas à ingestão de ovo de galinha ou seus derivados.
Nas condições citadas não existem contra-indicações para a vacinação. No entanto, a vacina não é recomendável para pessoas que estão com a imunidade debilitada, isto é, quando a defesa do organismo está baixa. Alguns exemplos de baixa imunidade são: tratamento de câncer, uso de drogas imunosupressoras como corticóides, e portadores de HIV que estejam com queda da imunidade. No caso de pessoas que estiveram doentes há pouco tempo, irá depender da doença e da avaliação médica.
Não, a vacina é contra-indicada para gestantes. Da mesma forma, a mulher que estiver tentando engravidar corre o risco de estar grávida antes de saber, portanto, não deve tomar a vacina nesse período.
Essas pessoas devem procurar orientação médica. Nos casos em que não for possível evitar a permanência em áreas silvestres com risco de transmissão da febre amarela, deve se reforçar o uso de repelentes e de barreiras de proteção individuais (calças e camisas de manga comprida).
Sim, qualquer medicamento pode provocar reações adversas. Os efeitos adversos da vacina contra a febre amarela são raros, mas algumas pessoas podem sofrer reações no local da injeção, dor de cabeça, dores musculares, febre e/ou mal estar. Esses sintomas podem aparecer de 5 a 10 dias após a vacinação. Por esse motivo, nos casos de doenças febris moderadas ou graves, recomenda-se adiar a vacinação até a melhora do quadro com o intuito de não se atribuir à vacina as manifestações da doença. Alguns casos raros de reações alérgicas graves ou complicações neurológicas podem estar relacionados à vacinação.
Não, não há problemas de associação de álcool com a vacina. Também não foram descritos, até o momento, problemas causados pela interação medicamentosa entre a vacina e outros medicamentos, mesmo aqueles derivados do ácido acetil-salicílico (AAS e aspirina).
O Ministério da Saúde recomenda vacinação aos viajantes para os locais onde ocorreram casos de doença em humanos ou foi comprovada a circulação do vírus entre animais (macacos), quais sejam: todos os estados das regiões Norte e Centro-Oeste, estados do Maranhão, Minas Gerais, municípios ao sul do Piauí, oeste e sul da Bahia, norte do Espírito Santo, oeste do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e noroeste do estado de São Paulo.
Se ela não foi vacinada, é preciso ficar atenta à ocorrência de febre, dor de cabeça, dor no corpo, dor abdominal, com ou sem icterícia (coloração amarelada). Nessa situação, deve procurar rapidamente um serviço de saúde.
Sim. Para realizar viagens internacionais para diversos destinos é necessário o registro da vacina contra a febre amarela no Certificado Internacional de Vacinação. Nessa situação, aqueles indivíduos que não estiverem com a vacina em dia correm o risco de voltar. Para evitar tal desconforto, recomenda-se o porte dos comprovantes de vacinação junto à documentação pessoal. Nem todos os países exigem a vacinação contra a febre amarela; a publicação de países que exigem a comprovação dessa vacina é atualizada anualmente na pagina da Organização Mundial de Saúde e também da Anvisa.
A Febre Amarela é Doença de Notificação Compulsória.
Casos suspeitos ou confirmados devem ser notificados imediatamente às autoridades sanitárias municipais, que desencadearão as medidas de controle da doença.