Alcoolismo
Perguntas e respostas
O que é Alcoolismo?
Alcoolismo é a dependência do indivíduo ao álcool. A maioria das pessoas pode consumir um copo de vinho no jantar ou uma cerveja com os amigos. Mas, para alguns, um copo passa a ser dois, dois se transformam em quatro e assim, sucessivamente, até ao ponto em que se tornam incapazes de parar de beber.
As pessoas dependentes de álcool possuem uma doença crônica muito séria. Sentem a necessidade de beber, assim como outras pessoas sentem a necessidade de comer. Uma vez que iniciam o hábito de beber, dificilmente conseguem parar. Surge, então, gradativamente, uma tolerância ao álcool, e o indivíduo precisa sempre de maior quantidade de bebida para sentir os mesmos efeitos.
Quando o alcoólatra tenta parar de beber, experimenta os sintomas da abstinência: suores, náuseas, ansiedade, delírios, visões, tremores intensos e confusão mental. A pessoa dependente do álcool, além de prejudicar a sua própria vida, acaba afetando sua família, amigos e colegas de trabalho. Além disso, o uso constante, descontrolado e progressivo de bebidas alcoólicas pode comprometer seriamente o bom funcionamento do organismo, levando a conseqüências irreversíveis.
Como alguém se torna um Alcoólatra?
A razão pela qual algumas pessoas se tornam alcoólatras advém de uma combinação de fatores genéticos, fisiológicos, psicológicos e sociais.
Os genes podem ser um importante fator no desenvolvimento do alcoolismo. Pesquisas indicaram que filhos de alcoólatras são quatro vezes mais propensos a se tornarem dependentes. Apesar dessa estatística estar, em parte, relacionada a fatores de convivência, os cientistas determinaram que há uma substancial ligação genética.
Fisiologicamente, o álcool altera o equilíbrio químico no cérebro. Ele afeta substâncias químicas no sistema nervoso central, como a dopamina. O corpo eventualmente anseia pelo álcool para restaurar sentimentos de prazer e evitar sentimentos negativos. Pessoas que já sofrem de muito estresse ou problemas psicológicos, como baixa auto-estima e depressão, apresentam maior risco de desenvolver alcoolismo.
Fatores sociais, como a pressão social, as propagandas e o ambiente, também desempenham um papel importante no desenvolvimento do alcoolismo. Pessoas jovens normalmente começam a beber porque seus amigos bebem. Anúncios de cerveja e bebidas destiladas tendem a retratar que beber é um glamouroso e excitante passatempo.
Os sinais que indicam a possibilidade de que alguém se torne alcoólatra incluem:
- beber para esquecer os problemas;
- beber sozinho com freqüência;
- mentir sobre seu hábito de beber;
- perder o interesse por comida;
- sentir-se triste ou irritado quando não está bebendo;
- perder as memórias de certos eventos ("ter um branco").
Quais são os Sinais do Alcoolismo?
Apenas um "sim" para as perguntas abaixo sugere um possível problema. Nesse caso, é importante procurar um médico ou outro profissional da área de saúde imediatamente para discutir o problema. Eles ajudarão a determinar se você tem ou não um problema com a bebida e, se você tiver, poderão recomendar a melhor atitude a ser tomada.
As perguntas são as seguintes:
- Você já sentiu que deveria diminuir a bebida?
- As pessoas já o irritaram quando criticaram sua bebida?
- Você já se sentiu mal ou culpado a respeito de sua bebida?
- Você já tomou bebida alcóolica pela manhã para "aquecer" os nervos ou para se livrar de uma ressaca?
O que acontece no organismo ao ingerirmos Bebidas Alcoólicas?
Quando bebemos álcool, cerca de 20% dele é absorvido pelo estômago; os outros 80% são absorvidos pelo intestino delgado. A velocidade com que o álcool é absorvido depende da concentração de álcool na bebida. A vodka, por exemplo, será absorvida mais depressa do que a cerveja, porque nela a concentração de álcool é maior. Depois de uma farta refeição, o álcool é absorvido mais lentamente.
Após sua absorção, o álcool entra na corrente sanguínea e percorre todo o corpo. Enquanto o álcool exerce seus efeitos, o corpo vai simultaneamente trabalhando para removê-lo. Os rins e os pulmões removem cerca de 10% através da urina e da respiração - é por esse motivo que o teste do bafômetro pode ser utilizado para medir o nível de álcool no sangue. O fígado transforma o restante do álcool em ácido acético.
Após alguns drinques, os efeitos físicos do álcool tornam-se aparentes. Eles estão relacionados à concentração de álcool no sangue, que aumenta quando o corpo recebe mais álcool do que pode eliminar.
Quais são os principais efeitos do Álcool no organismo?
Beber grandes quantidades de álcool pode danificar seriamente a saúde, afetando diversos órgãos: fígado, coração, estômago, intestino, pâncreas e cérebro. Além disso, traz muitos prejuízos aos bebês de mulheres que ingerem álcool durante a gestação.
Gestação: O álcool é especialmente perigoso para os fetos. A exposição ao álcool no útero pode levar à síndrome alcoólica fetal, resultando em retardamento mental. Nos fetos em desenvolvimento, as células embrionárias que irão formar o cérebro estão se multiplicando e formando conexões. A exposição ao álcool no útero pode danificar essas células, prejudicando o desenvolvimento de diversas estruturas do cérebro, incluindo os núcleos da base, responsáveis pela memória espacial e outras funções cognitivas; o cerebelo, envolvido no equilíbrio e coordenação; e a massa de fibras nervosas que conecta e capacita a comunicação entre os dois hemisférios do cérebro. A exposição intra-uterina ao álcool pode fazer com que, posteriormente, os bebês tenham problemas de aprendizado, de memória e falta de atenção. É recomendado, portanto, que mulheres grávidas se abstenham de álcool durante a gestação.
Cérebro: A maioria de nós já presenciou os efeitos visíveis do excesso de álcool no cérebro: o andar trôpego, a fala enrolada e os lapsos de memória. As pessoas, quando bebem, apresentam problemas com o equilíbrio, coordenação e juízo, além de reagirem mais lentamente aos estímulos, o que explica por que é tão perigoso beber antes de dirigir. Todos esses sinais físicos ocorrem devido à forma como o álcool afeta o cérebro e o sistema nervoso central.
Fígado : o fígado é particularmente vulnerável aos efeitos do álcool porque é o órgão onde muitas toxinas são metabolizadas, sendo transformadas em substâncias menos perigosas para serem removidas do corpo. Beber durante um longo período de tempo pode levar à hepatite alcoólica ou a inflamação no fígado. Os sintomas dessa doença incluem náuseas, vômitos, febre, perda de apetite, dor abdominal e icterícia (amarelamento da pele). Mais de 70% das pessoas com hepatite alcoólica desenvolvem cirrose, isto é, quando o tecido saudável do fígado é substituído por um tecido cicatricial e o fígado vai parando progressivamente de funcionar.: o álcool reduz a pressão arterial em doses baixas; no entanto, o uso contínuo e prolongado aumenta os riscos de doenças cardíacas, pressão alta, convulsões e infarto.
Pâncreas: o pâncreas libera os hormônios insulina e glucagon, que regulam a forma como a comida é transformada e utilizada como energia pelo corpo. Beber durante muito tempo pode levar à inflamação no pâncreas (pancreatite).: o álcool irrita as mucosas do estômago e do intestino, ocasionando vômitos, náuseas e úlceras.
Estômago e Intestino: o álcool irrita as mucosas do estômago e do intestino, ocasionando vômitos, náuseas e úlceras.
Coração: o álcool reduz a pressão arterial em doses baixas; no entanto, o uso contínuo e prolongado aumenta os riscos de doenças cardíacas, pressão alta, convulsões e infarto.
O Alcoolismo tem tratamento?
Sim. O tratamento para o alcoolismo inclui:
Desintoxicação: implica na abstinência de álcool, para eliminá-lo completamente do organismo. Leva cerca de quatro a sete dias. Pessoas que passam pela desintoxicação normalmente tomam medicações para prevenir delírios e outros sinais e sintomas da abstinência.
Medicamentos: certos remédios são administrados para prevenir recaídas. Alguns reduzem o desejo de beber, bloqueando as regiões do cérebro que sentem prazer quando o álcool é consumido; outros causam uma reação física grave ao álcool, que inclui náuseas, vômitos e dores de cabeça.
Aconselhamento: sessões de aconselhamento e terapia individual ou em grupo podem auxiliar muito na recuperação do alcoólatra, identificando situações nas quais pode ser tentado a beber e encontrando meios de contornar esse desejo. Um dos mais reconhecidos programas de recuperação alcoólica é o Alcoólicos Anônimos (AA). Nesse programa de doze passos, os alcoólatras em recuperação se encontram regularmente para auxiliar uns aos outros durante o processo de recuperação.
Recomendações
Recomenda-se não ingerir mais de dois drinks por dia, ou até menos, caso haja uma tendência de já se sentirem os efeitos do álcool com baixas doses. Um drink padrão equivale a aproximadamente uma latinha de cerveja (330 ml a 5%), uma dose de whisk, gin ou vodka (40 ml a 40%), uma taça de vinho (140 ml a 12%) ou uma pequena taça de licor ou aperitivo (70 ml a 25%).
Para minimizar o risco de desenvolver dependência, deve-se sempre evitar ingerir bebidas alcoólicas por mais que um dia na semana, mesmo em pequenas quantidades. Deve-se sempre evitar a intoxicação aguda, que pode resultar da ingestão de apenas dois ou três drinks em uma única ocasião. É recomendada a abstinência total para pessoas com as seguintes condições:
- História de dependência de álcool ou drogas no passado;
- Doença mental séria atual ou passada;
- Gravidez;
- Uso de medicamentos que requerem abstinência;
- Falhas na tentativa de reduzir o consumo de álcool;
- Doença do fígado ou pressão alta;
- Presença de tremores pela manhã durante os períodos de ingestão excessiva.
Existem situações que podem levar um indivíduo a ingerir grandes quantidades de álcool, como por exemplo, quando outras pessoas estão bebendo e esperam que ele também beba (em festas, saídas após o trabalho, etc.); sentir-se entediado ou deprimido, especialmente nos finais de semana; após uma briga de família; ou sentir-se sozinho em casa.
É importante identificar as situações que levam à ingestão de grandes quantidades de álcool e tomar algumas medidas para evitá-las, como encontrar outras atividades (por exemplo, exercícios físicos), limitar o número das saídas após o trabalho para beber com os amigos, e procurar sempre ingerir apenas a quantidade recomendada.